consomem-se-me as horas, meu amor
na tua espera
e lento verto o tempo em duas taças
esperava-te e demoras, meu amor
e tão severa
me cresce a ausência: o tempo passa
que farás tu agora, meu amor
e quem me dera
abrir-te sem perguntas a vidraça
escancarar-te a porta, meu amor
porque supera
o ver-te num segundo a espera baça
mas há só frio lá fora, meu amor,
e uma cratera
que no meu peito a pouco e pouco grassa
e a noite vai-se embora, meu amor
e dilacera
meu corpo frio que o dia despedaça
esvais-te na demora, meu amor
e a quimera
desfaz-se, noite a noite, em fumaça…
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